11(Prefiro as Maquinas que servem para não funcionar), de Manoel de Barros – 332 Poemas No 63


sound-iconOuça o Poema 11(Prefiro as Maquinas que servem para não funcionar), de Manoel de Barros

wikipedia de Manoel De Barros

Manoel-de-Barros

Prefiro as máquinas que servem para não funcionar:
quando cheias de areia de formiga e musgo – elas
podem um dia milagrar de flores.

(Os objetos sem função têm muito apego pelo abandono.)

Também as latrinas desprezadas que servem para ter
grilos dentro – elas podem um dia milagrar violetas.

(Eu sou beato em violetas.)

Todas as coisas apropriadas ao abandono me religam a Deus.
Senhor, eu tenho orgulho do imprestável!

(O abandono me protege.)

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