Deus ex-machina, de Eduardo Lacerda – 332 Poemas No 97


sound-iconouça o Poema Deus ex-machina, de Eduardo Lacerda

Eduardo Lacerta

Pouco me importa
que a chuva me molhe
se estou à calçada.

Mas, se estou à calçada

(a um passo deste fluxo,
que me separa do outro
lado, dessa enxurrada
que é de lama, mistura
de água e desta gente

de barro)

é porque eu não misturo.

E, se por descuido,
um Deus ex-machina,
por simples desvio
do buraco e da lombada
alterar o meu destino,
eu sigo em frente, parado.

Pois ainda que grite

: fiho-da-puta!

ao súdito sem culpa

Nada secará a água
que não veio

da chuva.

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