Noite – de Agostinho Neto – 332 poemas No 111


Agostinho Neto
Agostinho Neto

Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_Neto
Referencia do Poema: Jornal da Poesia

Ouça

Eu vivo
nos  bairros escuros do mundo
sem luz nem vida.

Vou pelas ruas
às apalpadelas
encostado aos meus informes sonhos
tropeçando na escravidão
ao meu desejo de ser.

São bairos de escravos
mundos de miséria
bairros escuros.

Onde as vontades se diluíram
e os homens se confundiram
com as coisas.

Ando aos trambolhões
pelas ruas sem luz
desconhecidas
pejadas de mística e terror
de braço dado com fantasmas.

Também a noite é escura.

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