Rumo, de Alda lara, 332 Poemas No 113


alda Lara

Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alda_Lara_%28escritora%29
Referencia: http://www.jornaldepoesia.jor.br/lara01.html

Ouça

É tempo, companheiro!
Caminhemos…
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra…

Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!

Vamos, companheiro…
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras…
e o meu suor se junte ao teu
suor, quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama…
Ouves?
É a Terra que nos chama…
É tempo, companheiro!
Caminhemos…

Noite, de Alda Lara – 332 Poemas No 112


alda Lara

Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alda_Lara_%28escritora%29

Ouça
Noites africanas langorosas,
esbatidas em luares…,
perdidas em mistérios…
Há cantos de tungurúluas pelos ares!…
…………………………………………….
onde o barulhento frenesi das batucadas,
põe tremores nas folhas dos cajueiros…
………………………………………………
Noites africanas tenebrosas…,
povoadas de fantasmas e de medos,
povoadas das histórias de feiticeiros
que as amas-secas pretas,
contavam aos meninos brancos…

E os meninos brancos cresceram,
e  esqueceram
as histórias…

Por isso as noites são tristes…
Endoidadas, tenebrosas, langorosas,
mas tristes… como o rosto gretado,
e sulcado de rugas, das velhas pretas…
como o olhar cansado dos colonos,
como a solidão das terras enormes
mas desabitadas…

É que os meninos brancos…,
esqueceram as histórias,
com que as amas-secas pretas
os adormeciam,
nas longas noites africanas…

Os meninos-brancos… esqueceram!…