de mãos Vazias, de Jofre Rocha – 332 Poemas No 114


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as mãos trago-as vazias
só nos olhos conservo o sonho.
e no íntimo
guardo recordações amargas
do género dito humano.
as mãos trago-as vazias
mas volto rico de presentes
para todos vós, camaradas.
minha bagagem de escravo forro,
ei-la:
um punhado de folhas soltas
contendo meus versos tristes
sabendo a fome e maresia.
as mãos trago-as vazias
e minha bagagem são só versos tristes…
mas para vós, camaradas
trago um peito aberto
para as dores do nosso sofrer
trago os braços abertos
para a solidariedade dum abraço.
volto de mãos vazias
de mãos vazias sim, camaradas
mas nos olhos conservo o sonho.
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Rumo, de Alda lara, 332 Poemas No 113


alda Lara

Wiki: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alda_Lara_%28escritora%29
Referencia: http://www.jornaldepoesia.jor.br/lara01.html

Ouça

É tempo, companheiro!
Caminhemos…
Longe, a Terra chama por nós,
e ninguém resiste à voz
Da Terra…

Nela,
O mesmo sol ardente nos queimou
a mesma lua triste nos acariciou,
e se tu és negro e eu sou branco,
a mesma Terra nos gerou!

Vamos, companheiro…
É tempo!

Que o meu coração
se abra à mágoa das tuas mágoas
e ao prazer dos teus prazeres
Irmão
Que as minhas mãos brancas se estendam
para estreitar com amor
as tuas longas mãos negras…
e o meu suor se junte ao teu
suor, quando rasgarmos os trilhos
de um mundo melhor!

Vamos!
que outro oceano nos inflama…
Ouves?
É a Terra que nos chama…
É tempo, companheiro!
Caminhemos…