Suplicas, de Marcus Groza – 332 Poemas No 89


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Marcus Groza

Amor
Come as vibrações das minhas cãibras
que de manhã o mistério alargou a minha gula
pega e empurra as minhas peles
deita por cima das minhas costuras

Estaca diante de mim as suas guelras
descobre semblantes do absurdo
reclama pra você as minhas trevas
encera e abençoa o que eu procuro

Senta praça aqui nas minhas costas
preciso de você feito guincho
Pro nosso ralo de fundo costura um pano
me deita nas esquinas urina e muco

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Vocação, de Marcus Groza – 332 Poemas No 76


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Marcus Groza

Eu vim para dizer obviedades
e posso desejar bons sonhos se quiseres sonhar.
Posso te desejar bons sonhos e uma boa morte, p
orque morrer também é um problema.

Aceno adeuses cinzas para os passantes
e digo palavras fáceis…

Eu vim para dizer obviedades
e dizer que hoje, com pés de cautela e maus passos,
deixo a hesitação de portões e umbrais:
deixarei a cidade, as ruas estreitas,
os telhados sobre as calçadas… e ainda assim
nem tudo deixará de ser como antes.

Não haverá despedidas nem bocas dirão velhas palavras
e não importa se com satisfação ou incredulidade.

Arranco do papel uma única clave de sol
e a devolvo, qual aranha boa, a um pentagrama de vento…

Eu vim para dizer obviedades
e não para a carpidação diária das oficinas.
Não morrer e a morte são sempre problemas
e eu só sei te acenar um adeus verde e te oferecer
esta poção ineficaz de palavras e melodias.

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